26 de junho de 2007

Dia de rotina

Eu fui para casa antes das quatro. Era dia de rodízio!
Não sei explicar, mas esse rodízio me irrita tanto, me faz delirar de ódio.
Eu sei, é ruim. Um pouco de mim e quase me enveneno.
Lá vai ela, no caso eu, rumo a maldita via super congestionada.
Pior do que nariz de criança remelenta, e pneumonia de fanho.
Já dizia Chico: “todo dia ela faz tudo sempre igual...”
Só que no meu caso, eu não tenho ngm para servir o café.
Bom, vamos voltar ao trânsito caótico da cidade perturbada.

Quando estou me aproximando da entrada que,
eu já havia dado seta a mais de 20 minutos e
se eu não me engano é a última para fazer o retorno.
Vem um maldito "truck" (caminhão) babando na minha bunda.
Desculpe, na traseira do meu carro.
Resolvo dar uma de Brian( velozes e furiosos) e corto o caminhão!
Boa de volante, tive aulas com piquet! pior que tive mesmo....*risos*
Nunca fui tão xingada na vida.

Passada o trauma verbal, entro a direita, viro a esquerda, e aguardo o sinal abrir.
Olho pro lado destraída, como quem não quer nada, me deparo com um vovô,
isso mesmo, um vovô!
Quase empalhado, como se fosse me arrancar do carro pela janela entre aberta.
Como sou muito discreta e apesar de todo o mal humor devido
o filho da puta do rodízio, sorri elegantemente e segui o fluxo.

Música vai, Música vem, meu retrovisor voltado para os meus belos olhos...
exatamente, eu não uso retrovisor, eu fico me olhando, maquiando e cantando....
não bati o carro ainda por que deus não quis.
To quase chegando na minha rua, quando reparo que o bendito
ford “K” vermelho, esta atrás de mim.
Calma, deixa eu explicar: supostamente na minha cabeça, o vovô havia me seguido,
e reparado em tudo que eu estava fazendo.
caretas, caras e bocas, enfim....tudo, tudinho!
Meu deus!
Resolvi entrar na rua errada para despistar. E não é que o vô é esperto?
Cassete meu! O que eu faço agora?! Retornei, e já estava na porta do meu prédio,
morrendo de medo do velho tarado, que se bobear já estava nos finalmentes no carro zero bala.
A gente ouve cada história, vai saber.
Cansada por causa do trânsito, por Ter corrido por conta da merda do rodízio,
e de saco cheio de fugir o velho...
dei bandeira branca e entrei na garagem.
Estaciono meu carro, pego minhas tralhas e vou rumo ao elevador.
Fico pensando no que vou comer, e o que vou arrumar primeiro quando entrar no meu lar doce lar.
Leio os avisos sobre passear com os cachorros, reformas e afins, que a vaca da sindica coloca.
em outra ocasião eu falo mal dela.....
Quando abro a porta do elevador,
quem esta dentro do mesmo??????

O Vovô!!!!!!!!
Com uma barba ensebada,
e olhar faminto. Como o do lobo mau.

Ele diz: Boa tarde moça.
Eu digo: eu não disse nada, apenas sorri falsamente.
Um silencio paira, e eu achando que seria agarrada a força por aquele homem das cavernas,
e acabaria na manchete do Datena.
Ele diz: nós fazemos o mesmo caminho todos os dias.
E eu: é mesmo! Bacana. Sorriso falso de novo.
Ele: vc costuma sair sempre umas oito e meia, e deixa seu perfume
para que os outros moradores possam sentir dentro do elevador.
Engulo o nó na garganta: Ah, sim! Eu entro as nove, e sempre tomo banho antes de ir trabalhar...
( dando a entender que ele não, lembra da barba???)
Ele: Um banho pela manhã sempre é bom, mas não necessita de perfume.
Olho e sorrio....falsamente, claro!!!
Ele novamente: Fiquei feliz de encontrar com vc, pois assim posso te pedir
o favor de não usa-lo antes d entrar no elevador. É que sou extremamente alérgico,
e seu cheiro me deixa mil vezes pior.
Eu: O que???????????????
Pensei: É pegadinha do malandro né???????????
Ele: Minha jovem, antigamente mulheres que se perfumavam muito eram mal faladas.
È uma questão de saúde. Meu nariz fica entupido, meus olhos ardem,
e minha garganta começa a coçar ( ele exibiu o barulho gostoso que faz para aliviar...)

Pasma, Abro a porta no meu andar e antes de sair, digo:
é o desodorante!
Eu tbm sou alérgica, e não uso perfume.
Desculpe, mas nesse caso, não posso ajudá-lo!


Da-lhe rexonaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Proteção 24 horas!!!!!!

14 de junho de 2007

Na Ilha de Caras...

Minha Autoria

Já nem me lembro ao certo, quanto tempo estive presente. Só sei que, da realidade, estive ausente. Foram longos anos vividos entre a arquitetura fria do planalto central, as entrequadras vazias de um domingo qualquer, o pôr-do-sol de cinema do lago Paranoá e o parque da cidade para brincar.Das lembranças mais vivas, o tapete verde do Congresso Nacional. Lá dei os primeiros passos, minha mãe me carregava nos braços. Acho que ela previa minha futura profissão, e sempre me ensinando que ali, não passava de um ganha pão; que seus sonhos de vida estavam longe do plenário e dos dias de votação.Um prato para cima e outro para baixo, um céu de brigadeiro, um verde escasso.Eu fui feliz sim! Tive uma infância tranquila, sofri com a seca, brinquei de queimada, tive bom convívio familiar. Fiquei longe da violência urbana, do transito caótico e da violação humana. Dentro da bolha de sabão.Até o dia que eu assoprei, e puff! num piscar de olhos, a bolha sumiu!Eu disse "adeus" para sociedade hipócrita e mesquinha, para minha bolsa Louis Vitton, status máximo de uma patricinha; a casa com piscina no lago e o piloto famoso, protótipo de namorado.O que uma cidade/sociedade pode influênciar em quem hoje sou?!respiro aliviada e digo:sou alguém bem melhor, ainda em construção, mas longe da falsidade e da veneração. Toda fase de vida é válida, mesmo que seja mergulhada em lodo ou coberta de mofo.Das manchetes dos jornais, nenhuma surpresa. Enquanto eu estive "ilhada" em Brasília, eu saí ilesa.Cargos políticos eu acompanhei, por ter caído talvez na família errada, ou na tentativa de sobreviver, eu não sei. Pude escapar com meus pais, seres humanos honrados, mas nada me engana que eu tive antepassados... Eu sou neta daquele fulano, sobrinha do beltrano, namorada ou "rolo" de ciclano, com sobrenome conhecido, reputação a zelar, conta bancária gorda de tanto imposto que o pai se nega a pagar.
pera ai, eu disse reputação?????naquela época escandalo era ir na micarecandanga de shorts curto e barriga de fora.
Quase nada pude viver no cerrado. Sempre presa a um conceito, uma aparencia, uma regra, ouvindo o lado do vinil errado.Mal sabia eu, que lá se tornaria um mundo cinematográfico. Aquele dos filmes de Tarantino: onde o mocinho sempre se ferra, o bandido esquarteja todo mundo e se acha o máximo;sangue pra todo lado.Engraçado ver os pais dos meus amigos de infancia indo para cadeia em rede nacional. Eu frequentava a casa deles, como não pude perceber que aquele clima não era normal?E aquela amiga que namorava o cara mais lindo e rico da cidade? Ficou grávida aos 16, foi mãe solteira, porque o cara bebia e dirigia mal, e hoje presa por estelionato e dever pra geral.
Que pessoas foram criadas em uma cidade assim? Onde tudo pode, tudo tem jeito, simples assim...Mas, parecia ser tão boa para mim...Vejamos o cenário:A burguesia se isolava em suas mansões; os meninos de classe média formando suas gangues ; pessoas em busca de religião, o vazio das ruas nos dias de eleição.A cidade que foi o berço do rock, revelou esportistas, inspirou canções; Que a melancolia queimava e sub-faturava construções.

Eu sei. Eu respirei o mesmo ar, dividi as risadas de mensalão, mesmo sem perceber aquele era meu ambiente, e eu uma garotinha presa a saia da mãe, o que poderia fazer então???
Da realidade de SP e Rio, eu quase nada sabia. Hoje posso perceber o quanto que perdi por permanecer escondida.
Não me assusto mais com tantas declarações e notícias, paternidades exigidas, pensão paga por lobistas. Século 21 surgem novas profissões, essa é uma delas, estão abertas as incrições.Pessoas que vi crescer, que conheço desde que nasci. amigos, colegas, terceiros, estrangeiros...
Todos no mesmo caldeirão; o futuro da nação!
È dramático saber que, daqui alguns meses nada disso será visto na televisão.
Apesar de Ter muita coisa a ser dita, muito escândalo e corrupção, tudo pode ser esquecido, deletado, como um apagão.Semana passada, eu liguei para um amigo; o qual eu dei o nome do meu primeiro cachorro e dançou na minha festa de 15 anos.Vc está bem? Como ficou seu pai nessa história então?
Ele me responde: A gente não escolhe ser filho de político, tenho vergonha da situação, acho humilhação.
Mas eu te garanto minha querida amiga, meu pai não é ladrão não!
respondo eu: E quem disse isso?
...Pipipipi....fim da ligação.
Eu hein, esse povo de Brasília já se defende mesmo antes de ser acusado,
entende tudo errado! Tomara que não seja genético..
De qualquer forma, fica o apelo:
Salvem o Senado!

11 de junho de 2007

Devaneios

Acordei naquele noite meio que de repente.
Peguei o violão e aos poucos tentei dedilhar uma leve canção.
As aulas tem sido tão intensas que nem sempre consigo me desligar.
A música tem sido para mim a mais bela arte de sobreviver,
no meio desse mundo imundo.
A distração e satisfação invadem meu peito e transbordam;
Sentada ali na beira da cama, com qlq nota e qlq sensação,
surgem pensamentos;
e como uma carta endereçada, eu escrevo pra vc:

Voce foi o melhor pecado que cometi;
O acaso que persisti;
O beijo fulgaz que nao resisti.
è fácil para mim declamar pra vc, mas se vc quiser eu tbm posso agir...
Voce é quem escolhe o que quer ver e ouvir.
desobedeço suas regras, mas faço o teu jogo;
Sou eu quem decide quando acaba, quem enfrenta o outro.
Não devemos nada a ninguém. nem a nós mesmos.
Já que nunca existimos de verdade.
Mas, se somos um nada...
o que fazemos aqui????

Dou um suspiro, apoio o violão no canto da mesinha de cabiceira;
aonde tem uma foto sua...
Olho de relance, um instante e posso te sentir...
Já é tarde, até amanha
já que não somos de verdade;
se importa de vir domir?!

Minha autoria