Minha Autoria
Já nem me lembro ao certo, quanto tempo estive presente. Só sei que, da realidade, estive ausente. Foram longos anos vividos entre a arquitetura fria do planalto central, as entrequadras vazias de um domingo qualquer, o pôr-do-sol de cinema do lago Paranoá e o parque da cidade para brincar.Das lembranças mais vivas, o tapete verde do Congresso Nacional. Lá dei os primeiros passos, minha mãe me carregava nos braços. Acho que ela previa minha futura profissão, e sempre me ensinando que ali, não passava de um ganha pão; que seus sonhos de vida estavam longe do plenário e dos dias de votação.Um prato para cima e outro para baixo, um céu de brigadeiro, um verde escasso.Eu fui feliz sim! Tive uma infância tranquila, sofri com a seca, brinquei de queimada, tive bom convívio familiar. Fiquei longe da violência urbana, do transito caótico e da violação humana. Dentro da bolha de sabão.Até o dia que eu assoprei, e puff! num piscar de olhos, a bolha sumiu!Eu disse "adeus" para sociedade hipócrita e mesquinha, para minha bolsa Louis Vitton, status máximo de uma patricinha; a casa com piscina no lago e o piloto famoso, protótipo de namorado.O que uma cidade/sociedade pode influênciar em quem hoje sou?!respiro aliviada e digo:sou alguém bem melhor, ainda em construção, mas longe da falsidade e da veneração. Toda fase de vida é válida, mesmo que seja mergulhada em lodo ou coberta de mofo.Das manchetes dos jornais, nenhuma surpresa. Enquanto eu estive "ilhada" em Brasília, eu saí ilesa.Cargos políticos eu acompanhei, por ter caído talvez na família errada, ou na tentativa de sobreviver, eu não sei. Pude escapar com meus pais, seres humanos honrados, mas nada me engana que eu tive antepassados... Eu sou neta daquele fulano, sobrinha do beltrano, namorada ou "rolo" de ciclano, com sobrenome conhecido, reputação a zelar, conta bancária gorda de tanto imposto que o pai se nega a pagar.
pera ai, eu disse reputação?????naquela época escandalo era ir na micarecandanga de shorts curto e barriga de fora.
Quase nada pude viver no cerrado. Sempre presa a um conceito, uma aparencia, uma regra, ouvindo o lado do vinil errado.Mal sabia eu, que lá se tornaria um mundo cinematográfico. Aquele dos filmes de Tarantino: onde o mocinho sempre se ferra, o bandido esquarteja todo mundo e se acha o máximo;sangue pra todo lado.Engraçado ver os pais dos meus amigos de infancia indo para cadeia em rede nacional. Eu frequentava a casa deles, como não pude perceber que aquele clima não era normal?E aquela amiga que namorava o cara mais lindo e rico da cidade? Ficou grávida aos 16, foi mãe solteira, porque o cara bebia e dirigia mal, e hoje presa por estelionato e dever pra geral.
Que pessoas foram criadas em uma cidade assim? Onde tudo pode, tudo tem jeito, simples assim...Mas, parecia ser tão boa para mim...Vejamos o cenário:A burguesia se isolava em suas mansões; os meninos de classe média formando suas gangues ; pessoas em busca de religião, o vazio das ruas nos dias de eleição.A cidade que foi o berço do rock, revelou esportistas, inspirou canções; Que a melancolia queimava e sub-faturava construções.
Eu sei. Eu respirei o mesmo ar, dividi as risadas de mensalão, mesmo sem perceber aquele era meu ambiente, e eu uma garotinha presa a saia da mãe, o que poderia fazer então???
Da realidade de SP e Rio, eu quase nada sabia. Hoje posso perceber o quanto que perdi por permanecer escondida.
Não me assusto mais com tantas declarações e notícias, paternidades exigidas, pensão paga por lobistas. Século 21 surgem novas profissões, essa é uma delas, estão abertas as incrições.Pessoas que vi crescer, que conheço desde que nasci. amigos, colegas, terceiros, estrangeiros...
Todos no mesmo caldeirão; o futuro da nação!
È dramático saber que, daqui alguns meses nada disso será visto na televisão.
Apesar de Ter muita coisa a ser dita, muito escândalo e corrupção, tudo pode ser esquecido, deletado, como um apagão.Semana passada, eu liguei para um amigo; o qual eu dei o nome do meu primeiro cachorro e dançou na minha festa de 15 anos.Vc está bem? Como ficou seu pai nessa história então?
Ele me responde: A gente não escolhe ser filho de político, tenho vergonha da situação, acho humilhação.
Mas eu te garanto minha querida amiga, meu pai não é ladrão não!
respondo eu: E quem disse isso?
...Pipipipi....fim da ligação.
Eu hein, esse povo de Brasília já se defende mesmo antes de ser acusado,
entende tudo errado! Tomara que não seja genético..
De qualquer forma, fica o apelo:
Salvem o Senado!
Já nem me lembro ao certo, quanto tempo estive presente. Só sei que, da realidade, estive ausente. Foram longos anos vividos entre a arquitetura fria do planalto central, as entrequadras vazias de um domingo qualquer, o pôr-do-sol de cinema do lago Paranoá e o parque da cidade para brincar.Das lembranças mais vivas, o tapete verde do Congresso Nacional. Lá dei os primeiros passos, minha mãe me carregava nos braços. Acho que ela previa minha futura profissão, e sempre me ensinando que ali, não passava de um ganha pão; que seus sonhos de vida estavam longe do plenário e dos dias de votação.Um prato para cima e outro para baixo, um céu de brigadeiro, um verde escasso.Eu fui feliz sim! Tive uma infância tranquila, sofri com a seca, brinquei de queimada, tive bom convívio familiar. Fiquei longe da violência urbana, do transito caótico e da violação humana. Dentro da bolha de sabão.Até o dia que eu assoprei, e puff! num piscar de olhos, a bolha sumiu!Eu disse "adeus" para sociedade hipócrita e mesquinha, para minha bolsa Louis Vitton, status máximo de uma patricinha; a casa com piscina no lago e o piloto famoso, protótipo de namorado.O que uma cidade/sociedade pode influênciar em quem hoje sou?!respiro aliviada e digo:sou alguém bem melhor, ainda em construção, mas longe da falsidade e da veneração. Toda fase de vida é válida, mesmo que seja mergulhada em lodo ou coberta de mofo.Das manchetes dos jornais, nenhuma surpresa. Enquanto eu estive "ilhada" em Brasília, eu saí ilesa.Cargos políticos eu acompanhei, por ter caído talvez na família errada, ou na tentativa de sobreviver, eu não sei. Pude escapar com meus pais, seres humanos honrados, mas nada me engana que eu tive antepassados... Eu sou neta daquele fulano, sobrinha do beltrano, namorada ou "rolo" de ciclano, com sobrenome conhecido, reputação a zelar, conta bancária gorda de tanto imposto que o pai se nega a pagar.
pera ai, eu disse reputação?????naquela época escandalo era ir na micarecandanga de shorts curto e barriga de fora.
Quase nada pude viver no cerrado. Sempre presa a um conceito, uma aparencia, uma regra, ouvindo o lado do vinil errado.Mal sabia eu, que lá se tornaria um mundo cinematográfico. Aquele dos filmes de Tarantino: onde o mocinho sempre se ferra, o bandido esquarteja todo mundo e se acha o máximo;sangue pra todo lado.Engraçado ver os pais dos meus amigos de infancia indo para cadeia em rede nacional. Eu frequentava a casa deles, como não pude perceber que aquele clima não era normal?E aquela amiga que namorava o cara mais lindo e rico da cidade? Ficou grávida aos 16, foi mãe solteira, porque o cara bebia e dirigia mal, e hoje presa por estelionato e dever pra geral.
Que pessoas foram criadas em uma cidade assim? Onde tudo pode, tudo tem jeito, simples assim...Mas, parecia ser tão boa para mim...Vejamos o cenário:A burguesia se isolava em suas mansões; os meninos de classe média formando suas gangues ; pessoas em busca de religião, o vazio das ruas nos dias de eleição.A cidade que foi o berço do rock, revelou esportistas, inspirou canções; Que a melancolia queimava e sub-faturava construções.
Eu sei. Eu respirei o mesmo ar, dividi as risadas de mensalão, mesmo sem perceber aquele era meu ambiente, e eu uma garotinha presa a saia da mãe, o que poderia fazer então???
Da realidade de SP e Rio, eu quase nada sabia. Hoje posso perceber o quanto que perdi por permanecer escondida.
Não me assusto mais com tantas declarações e notícias, paternidades exigidas, pensão paga por lobistas. Século 21 surgem novas profissões, essa é uma delas, estão abertas as incrições.Pessoas que vi crescer, que conheço desde que nasci. amigos, colegas, terceiros, estrangeiros...
Todos no mesmo caldeirão; o futuro da nação!
È dramático saber que, daqui alguns meses nada disso será visto na televisão.
Apesar de Ter muita coisa a ser dita, muito escândalo e corrupção, tudo pode ser esquecido, deletado, como um apagão.Semana passada, eu liguei para um amigo; o qual eu dei o nome do meu primeiro cachorro e dançou na minha festa de 15 anos.Vc está bem? Como ficou seu pai nessa história então?
Ele me responde: A gente não escolhe ser filho de político, tenho vergonha da situação, acho humilhação.
Mas eu te garanto minha querida amiga, meu pai não é ladrão não!
respondo eu: E quem disse isso?
...Pipipipi....fim da ligação.
Eu hein, esse povo de Brasília já se defende mesmo antes de ser acusado,
entende tudo errado! Tomara que não seja genético..
De qualquer forma, fica o apelo:
Salvem o Senado!

4 comentários:
É claro que podes voltar ao meu cantinho. Será um prazer rever-te por lá.
Este teu canto, também tem o "teu" encanto.
Um beijo...escondido em mim!
Olá Carol! Tudo bem?
Obrigado por visitares o meu "Labirinto de Olhares". Já vi que gostas de escrever. Continua...
Beijinho,
FMOP
Oi carol!!!
Um prazer imenso ter a sua visita no meu blog!!
Adorei os seus textos!!!
vc escreve muito bem!!
É muito bom compartilhar de pessoas como vc, no clube da insonia e pelos os blogs!
Sinta-se a vontade e volte mais vezes!!!
Sempre estaremos juntos, seja no clube ou por aqui!!!
Um gde bjo, forte abraço,
Junior
Oi vi seu coment no Clube da Insonia,
passa no meu!
Bêjo0s,
*
*
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Rê!
www.ticodrc.blogspot.com
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